ACADEMIA MAGEENSE DE LETRAS


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TRIBUNA ACADÊMICA.


As contribuições de Anchieta para Magé

Antônio Seixas

Um dos pilares da história jesuítica brasileira, o beato Pe. José de Anchieta (1534-1597), religioso e intelectual de escol, desembarcou no Brasil em 1553, vindo de Portugal.

Como aponta Silvio Romero, Anchieta é "o mais antigo vulto de nossa história intelectual", por seu trabalho como educador, gramático, poeta, teatrólogo etc. Elevado a Provincial Jesuíta, em 1578, estabeleceu-se no Colégio do Rio de Janeiro entre 1584 e 1592.

Foi na condição de Provincial que Anchieta esteve em Magé, núcleo religioso tão discreto que os historiadores da Companhia de Jesus e mesmo Anchieta, em sua Ânua de 1584. nada relatam a seu respeito.

Sua presença em Magé, no ano de 1566, é inconteste graças aos registros deixados por seus primeiros biógrafos (Pe. Pero Rodrigues, Pe. Simão de Vasconcelos, Charles de Sainte-Foy etc.) acerca dos milagres realizados "na fazenda e engenho de Magé", propriedade de Cristóvão de Barros.

Exceto os milagres do "poço bento" e do "boi bravo", todas as contribuições anchietanas em solo mageense se dão de forma indireta, através do secular poço milagroso, cenário de curas admiráveis, desde o século XVI.

É lamentável encontrar, ainda hoje, pseudo-intelectuais tentando subverter a própria história nacional, ao atribuir ao Pe. Anchieta papéis na história mageense que não teria desempenhado, como o de iniciador de nossas letras ou fundador de nossa cidade.

Jornal Sexto Distrito (Coluna Memória Mageense)
Magé, junho de 2006, n.º 58, p. 04