ACADEMIA MAGEENSE DE LETRAS


VOLTA

TRIBUNA ACADÊMICA


O BRASIL DISSE NÃO AO NÃO!
Ainda o desarmamento: porque votei sim!


Reinaldo José Ferreira


O Brasil disse não ao "Não", no referendo que perguntava: O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?

Com noventa e cinco milhões, trezentos e setenta e cinco mil, oitocentos e vinte e quatro (95.375.824) eleitores, que foram às urnas no dia 23 de outubro, destes, 63,94% disseram que o comércio de armas de fogo e munição não deve ser proibido no Brasil e, 36,09% disseram que sim, correspondendo a trinta e três milhões, trezentos e trinta e três mil e quatro eleitores(33.333.04).

Eu, mesmo, desde o início, propenso a votar no Não, troquei nas últimas doze horas para o Sim. Caso, votasse no Não, seria um não de protesto a política de segurança pública do governo, que é falha, deficiente, inoperante e também por considerar desnecessário o desperdício de verba em algo inútil, num país assolado pela fome, seca e tantos problemas sociais e uma corrupção alarmante e endêmica, tal como a nossa doente, maltratada política de saúde pública, principalmente, para nós, uma maioria de simples mortais, que muitas das vezes, precisa recorrer aos hospitais e postos de saúde do governo e não recebemos o devido tratamento. As filas, a falta de remédio para hipertensos, diabéticos, rins e outros, cirurgias desmarcadas são constantes por falta de leitos, instrumentos cirúrgicos; as reclamações, as denúncias nos grandes noticiários diários demonstram isto, e, os mais de 260 milhões gastos e jogados ao lixo, seriam, melhor aproveitados na Saúde do povo brasileiro e outras questões tão urgentes.

Enfim, o Sim venceu nos 27 estados brasileiros e em cada um, com mais de cinqüenta porcento de Não. O povo deu seu recado ao governo, não aceitou para ele o desafio de diminuir a violência cometida através de armas. Segurança Pública é assunto do Estado e ele que resolva. Mas votei no Sim, após promover um debate na escola em que leciono, ouvir as opiniões dos convidados, como o Pastor Luís Antônio da Segunda Igreja Batista de Piabetá, dos Professores Irimar, a diretora Rosinéa Dias onde realizava se o debate(CIEP 127), os alunos, comecei a balançar para o sim e na madrugada, presenciei uma briga entre dois jovens e com certeza, se um deles estivesse armado, um mataria o outro e a namorada de um, talvez seria hoje a namorada de um assassino atrás das grades e uma mãe estaria chorando por um corpo ou vice-versa da situação, por motivos banais e fúteis.

Outra questão, percebi que a grande maioria não entendeu a mensagem dos publicitários(eles trabalharam mal o marketing), achavam que o bandido estaria livre para entrar em sua casa, já, que não poderia comprar uma arma para se proteger. Nem todos da população têm no mínimo três mil reais para comprar uma arma e atende os requisitos necessários e as grandes armas, não são vendidas em lojas, continuam contrabandeadas, caso contrário, os morros e favelas não seriam as grandes fortalezas armadas de hoje com seus potentes fuzis e outras, que nem se pensava usar na época Segunda Guerra Mundial. Desarmamos o coração de violência e o Brasil dos mensalões, verdadeiras armas contra o povo!

Jornal Sexto Distrito (Editorial)
Magé, junho de 2006, n.º 58, p. 02