ACADEMIA MAGEENSE DE LETRAS


VOLTA

TRIBUNA ACADÊMICA


SOB A ÉGIDE DO DINHEIRO

Benedita Silva de Azevedo


Quando poderíamos imaginar que os objetivos das entidades públicas e sociais chegariam a esse ponto! Passou de pedra a vidraça. De defensores da ética e da moral a coadjuvantes da corrupção. Embolsaram verbas destinadas à educação, saúde e segurança o tripé básico para o exercício da cidadania de ricos e pobres. As verbas destinadas a projetos de desenvolvimento sociais, estudantis, de segurança e rurais, tão necessários ao desenvolvimento do país, patrocinam mega-eventos promocionais de partidos e do governo. Quantas escolas deixam de ser construídas para que nossas crianças se preparassem para o futuro! Quantas profissões deixam de ser ensinadas para que cada um seja responsável pelo seu próprio sustento e de seus familiares! Quantas fábricas, cooperativas, oficinas, comércios e outras atividades deixam de ser criados para dar empregos aos jovens preparados nas escolas e oficinas! Não por falta de recursos, pois os vemos migrarem das repartições públicas para os bolsos de nossos políticos em generosas somas, tão altas que os nossos carentes nem imaginam o quanto valem.

Como imaginar o que se pode comprar com os 4 milhões que o Sr. Jeferson recebeu e achou pouco. Ou os 10 milhões depositados na conta do Sr. Duda Mendonça. Ou os 55 milhões emprestados ao PT! O grande número de famílias que recebem uma cesta básica no valor de 50 reais e fica refém de quem os distribuiu, veja bem, apenas distribuiu, pois esse dinheiro saiu do bolso de todos nós brasileiros que pagamos nossos impostos, e só por isso, em contrapartida, têm de ir às ruas apoiar os destruidores de suas perspectivas de trabalho e dignidade, pois os órgãos públicos e sociais que os deveriam defender estão todos de alguma maneira atrelados às benesses do dinheiro, através de liberação de verbas para lhes desviar o sentimento de reivindicação. As grandes somas exigidas por alguns políticos equivalem às pequenas doações para aquietar a UNE e o patrocínio do MST e da CUT.

O que comanda as atividades públicas e sócias, hoje, é a grana distribuída de acordo com o preço de cada um para apoiar as atividades de quem está no comando.


Jornal Sexto Distrito (Coluna da Profª Benedita)
Magé, junho de 2006, n.º 58, p. 04